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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

A relação conturbada do Facebook com a indústria de notícias

De fake news à eleição de Donald Trump, o Facebook sempre teve uma
 difícil relação com o meio jornalístico (Mambembe/Flickr)

Publicado originalmente no site PODER 360, em 11 de fevereiro de 2019

A relação conturbada do Facebook com a indústria de notícias

Leia a tradução do artigo do Nieman Lab

Por Joshua Benton

O Facebook fez 15 anos na última 2ª (4.fev.2019), e não seria errado descrever isso como uma fase de puberdade desconfortável. Seus membros cresceram inesperadamente rápido; ele anda desajeitadamente pelo corredor, cheio de vértices e cotovelos desengonçados. Suas relações com os outros às vezes parecem menos governadas pela razão e mais por sua adolescência. Ele começa a gritar com seu pai e fica mal-humorado quando é pego fazendo algo que não devia.

Como se tornou, ao lado do Google, o maior condutor de atenção humana na história, o Facebook impactou praticamente tudo de uma maneira ou outra nos últimos 15 anos. Mas poucos sentiram sua força mais do que a indústria de notícias, que tentou várias vezes combater o vento contrário, sem muito sucesso.

Então, com o Facebook celebrando seu aniversário, imaginei que seria útil relembrar as 10 datas mais importantes da história do Facebook para os editores de notícias (e para aqueles que os amam).

5 DE SETEMBRO DE 2006: FACEBOOK LANÇA SEU FEED DE NOTÍCIAS.

Poder ser difícil de lembrar, mas o fluxo de atualizações não fazia parte do Facebook no começo. Isso só chegou mais de 2 anos após o lançamento, com essa nota do gerente de produtos Ruchi Sanghvi:

O Feed de notícias destaca o que está acontecendo em seus círculos sociais no Facebook. Ele atualiza uma lista personalizada de notícias ao longo do dia, então você saberá quando Mark adicionar Britney Spears aos seus favoritos ou quando sua paquera estiver solteira novamente. Agora, sempre que você fizer login, receberá as manchetes mais recentes geradas pela atividade de seus amigos e grupos sociais.

(Essa história de “nós vamos ajudá-lo a stalkear aquela garota” é, felizmente, algo que você não vê nas mensagens do Facebook hoje em dia.)

Outro trecho do anúncio:

O feed de notícias e o mini-feed são uma maneira diferente de ver as notícias sobre seus amigos, mas eles não fornecem nenhuma informação que antes não era visível. Suas configurações de privacidade permanecem as mesmas – as pessoas que não podiam ver suas informações antes ainda não podem ver agora.

Sem dúvida este foi o 1° grande momento em que os usuários tiveram que encarar a realidade que, uma vez que adicionam informações a esse gigantesco banco de dados, eles desistem de pelo menos algum controle sobre o que acontece a seguir.

Passar de “eu pensei que isso era apenas para o pequeno grupo de pessoas que visitam o meu perfil” para “minha nossa, agora eu estou sendo cutucado por esse estranho em outra cidade, que sabe que estou solteiro novamente” foi, de certa forma, o cálculo de privacidade do Facebook. De fato, os usuários odiaram, mas Mark Zuckerberg respondeu da maneira mais condescendente possível: “Acalme-se. Respire. Nós ouvimos vocês”. E as pessoas seguiram em frente.

Para os editores que estavam prestando atenção na época –não foram muitos–, o Facebook mostrou que entendia o poder de remixar pequenos fragmentos de conteúdo dos usuários em uma experiência maior, algo que poderia eventualmente ser uma plataforma para compartilhamento de conteúdo. Ele também mostrou que “notícias” nem sempre quer dizer “notícias”.

9 DE ABRIL DE 2012: FACEBOOK COMPRA O INSTAGRAM POR US$ 1 BILHÃO.

Algum preço já pareceu tão ridiculamente alto na época –e tão ridiculamente baixo alguns anos depois? Pois é, todo o crédito vai para Zuckerberg. Ele viu a mudança para o compartilhamento visual chegando, viu uma plataforma que compreendia o celular e não teve medo de atacar.

Esta foi a primeira grande aquisição do Facebook, mas é claro que não foi a última, sendo o WhatsApp e o Oculus as mais proeminentes por vir. A compra do Instagram mostrou aos editores que, quando surge uma nova plataforma que parece interessante, o Facebook estará disposto a pagar para entrar na onda. Você ia estar lidando com Menlo Park – cidade sede do Facebook e do Google– de qualquer forma. (Ele também mostrou ao Facebook que os reguladores antitruste, que em outra época podem ter desconfiado desse tipo de expansão do poder de mercado, agora estavam desfrutando de uma bela soneca de uma década).

23 DE JUNHO DE 2014: FACEBOOK COLOCA O DEDO DA ESTRATÉGIA DE VÍDEOS.

O Facebook rejeita esse termo e sustentou que a crescente proeminência de vídeos no feed de notícias foi uma resposta orgânica ao desejo dos usuários. Mas esse foi o dia em que o Facebook anunciou que, se achar que você gosta de vídeo, ele vai lhe dar mais e mais. O amadurecimento dos vídeos de 30 segundos pode ser detectado até hoje. O ponto inicial foi aqui.

Demoraria pouco mais de 2 anos para que o Facebook reconhecesse que estava calculando mal o quanto as pessoas assistiam vídeos –exagerando o desejo dos usuários e o consumo de vídeos para editores e anunciantes.

12 DE MAIO DE 2015: FACEBOOK INTRODUZ ARTIGOS INSTANTÂNEOS.

Eu acho que esse dia poderia ser descrito como o ‘Pico do Facebook’ quando se trata da indústria editorial. (Não ‘O Pico do Facebook’ de fato, é claro –esse dia provavelmente ainda está por vir.) O Facebook Instant Articles foi ao mesmo tempo uma cutucada pouco sutil a respeito do quão terríveis muitos sites de notícias eram em telefones, uma expressão pura do poder de segmentação de anúncios do Facebook e o começo do fim da internet como a conhecemos.

Ao dizer que a indústria de notícias deve publicar suas histórias diretamente no Facebook –não apenas na internet–, o Instant Articles deu o pontapé inicial no processo da publicação distribuída: o Google AMP e o Apple News. (O Snapchat Discover havia sido lançado alguns meses antes). Com a realidade virtual e especialmente os comandos de voz, ainda vemos o fascínio e o risco de tal estratégia orientada pela plataforma. No final, a maioria dos editores decidiu que o Instant Articles não merecia o incômodo e voltaram para a internet.

3 DE DEZEMBRO DE 2015: FACEBOOK LIVE ESTREIA PARA USUÁRIOS ATIVOS.

Se o Facebook diz que você vai fazer 1 vídeo ao vivo, então, maldição!, você vai fazer 1 vídeo ao vivo. À medida em que os editores se ajustavam ao tamanho exorbitante do algoritmo do feed de notícias em suas estatísticas de tráfego, muitos estavam dispostos a fazer o que fosse necessário, transformando até mesmo os repórteres de jornais impressos menos carismáticos em cinegrafistas e repórteres de TV. O Facebook, 1 pouco assustado pelo Snapchat, sabia que precisava de uma maneira de capturar uma forma mais crua de expressão do que seus perfis cada vez mais polidos poderiam convocar, e eles pensaram que o Live era parte da resposta.

Para os editores, era uma fonte de dinheiro e de estratégia confusa, já que o Facebook pagava à indústria de notícias milhões de dólares em troca de cumprir uma cota de vídeos do Facebook Live a cada dia ou semana. Com a publicidade digital no lixo, muitos editores ficaram felizes em receber o dinheiro, como seria mais tarde com o Facebook Watch. Nenhuma das duas estratégias terminaram muito bem para eles.

9 DE MAIO DE 2016: GIZMODO ALEGA QUE O FACEBOOK REPRIME COM FREQUÊNCIA NOTÍCIAS CONSERVADORAS.

Ah, o caso Gizmodo… Você pode debater o quão legítima era a fonte da história –eu já fiz isso– mas, de qualquer forma, o resultado foi 1 Facebook que sentiu que precisava sustentar seu flanco direito. Editores e ativistas conservadores reclamaram que o Facebook era parte de uma conspiração liberal para suprimir a verdade. A empresa realizou uma cúpula de emergência com Glenn Beck, Erick Erickson e outros e tentou convencer o Congresso do contrário. Isso mudou como os Trending Topics funcionavam. Transformou os trabalhos humanos em algoritmos. Eventualmente, matou os Trending Topics por completo.

Essa história foi o verdadeiro ponto de partida para 1 argumento conservador mais amplo, de que plataformas de tecnologia são inimigas. É como você acaba de frente com membros do Congresso reclamando que o Google bloqueou sua busca por “Jesus”; culpando o Facebook por uma queda no tráfego em 1 site de conspiração; e perguntando se Taylor Swift não havia sido vítima de discurso de ódio de 1 escritor GQ.

8 DE SETEMBRO DE 2016: FACEBOOK DECIDE QUE UMA FOTOGRAFIA VENCEDORA DO PULITZER É PORNOGRAFIA INFANTIL.

Este foi o momento em que muitas pessoas perceberam que, de alguma forma, quando não estavam olhando, o Facebook foi nomeado editor-chefe do discurso global.

A história de fundo: 1 autor norueguês postou em sua página no Facebook a famosa foto de Nick Ut de uma garota vietnamita, nua e em pânico, fugindo de napalm. Você conhece a imagem. Os moderadores de conteúdo do Facebook declararam pornografia infantil e proibiram o autor de postar novamente. O maior jornal da Noruega escreveu uma reportagem sobre o assunto, e foi retirado porque usou a foto. O Facebook até impediu o primeiro-ministro da Noruega de publicá-lo.

O Facebook mudou de ideia 1 dia depois. Mas o incidente da “napalm girl” evidenciou tanto o capricho quanto o domínio do Facebook para tomar as decisões finais. Alguns moderadores de conteúdo mal pagos nas Filipinas poderiam determinar se 1 jornal teria que compartilhar uma história ou não.

8 DE NOVEMBRO DE 2016: DONALD TRUMP É ELEITO PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS.

Para ser claro: não estou dizendo que o Facebook (ou as coisas que aconteceram em sua plataforma) mudou a eleição. O que estou dizendo é que a posição do Facebook no mundo virou ao avesso quando o resultado ficou claro.

O que quer que se pense de Trump, ele é 1 presidente muito incomum, e a busca pós-eleição por fatores que pudessem estar por trás desse resultado incomum colocou os holofotes diretamente no Facebook. Uma análise recente ilustrou como histórias negativas sobre o Facebook apareceram no New York Times bem na época da eleição. (Justificadamente, eu diria.) Somente as revelações da Cambridge Analytica, em 2018, combinariam isso como 1 fator de cobertura negativa.

Todas as conversas sobre “fake news”, “guerra de informação” e “bolhas de filtro” colocaram o Facebook na defensiva – em alguns casos injustamente, mas na maioria das vezes não. (O Projeto de Jornalismo do Facebook foi lançado pouco depois, sem nenhum acidente).

As percepções do Facebook mudaram de “lugar onde vovós postam memes” para “lugar que pode ter desempenhado papel significante na intervenção estrangeira na democracia americana”. Com isso, os editores começaram a se sentir 1 pouco melhor ao se afastarem dele como estratégia necessária de desenvolvimento de público-alvo.

21 DE MARÇO DE 2017: FACEBOOK COMEÇA A CLASSIFICAR HISTÓRIAS FALSAS COMO “DUVIDOSAS”.

Este foi o 1° esforço significativo do Facebook para salvar seus próprios usuários do compartilhamento de besteiras. Foi também 1 momento chave na parceria do Facebook com empresas de checagem de fatos como PolitiFact, AP e Snopes, sob a bandeira da International Fact-Checking Network.

Se duas organizações separadas com as quais o Facebook estava trabalhando tivessem declarado uma história falsa, o Facebook a classificaria como “duvidosa por vários verificadores de fatos independentes”.

Este sistema não funcionou muito bem e o Facebook se afastou dele em alguns meses. O que não mudou muito foi a terceirização por parte do Facebook desse tipo de trabalho para as organizações de notícias –  que protege o Facebook de reivindicações tendenciosas, mas também coloca muito trabalho nas costas dos editores. (Na semana passada, 1 deles disse que já não aguentava mais).

11 DE JANEIRO DE 2018: FACEBOOK FALA QUE HÁ MUITAS NOTÍCIAS APARECENDO NA REDE SOCIAL.

Me desculpe –eu quis dizer que o Facebook quer “aproximar as pessoas” com 1 abraço registrado em fotografia.

O Facebook fez vários movimentos ao longo dos anos para diminuir a quantidade de conteúdo dos editores no feed de notícias. Mas foi o anúncio de janeiro de 2018 que fez parecer o movimento como 1 pedido de divórcio. Zuckerberg chegou ao ponto de afirmar que a culpa das pessoas se sentirem mal ao usar a o Facebook era dos editores.

A pesquisa mostra que quando usamos as mídias sociais para nos conectar com pessoas com as quais nos importamos, isso pode ser bom para o nosso bem-estar. Podemos nos sentir mais conectados e menos solitários, e isso se correlaciona com medidas de longo prazo de felicidade e saúde. Por outro lado, a leitura passiva de artigos ou a visualização de vídeos, mesmo que sejam divertidos ou informativos, pode não ser tão boa.

(“Artigos de leitura passiva” também é conhecido como “artigos de leitura”).

A mudança significou mais posts de amigos e familiares e menos dos editores. E para que os editores superassem essa barreira, o conteúdo deles tinha que “encorajar interações significativas entre as pessoas”. Deus proíba as notícias de serem apenas seja notícias – você precisava se animar para lê-las agora.

Os editores, que em muitos casos já haviam visto o uso do Facebook em queda há algum tempo, viram mais do mesmo. O Facebook, que vinha em uma disputa ferrenha com o Google para ver quem enviava mais conteúdo para os editores, sumiu do mapa.

Por 1 lado, ninguém gosta de perder audiência. Mas, por outro lado, esse pode ter sido o ponto em que algumas editoras precisavam para pensar sobre como uma organização de notícias sustentável pós-Facebook poderia se portar.
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*Joshua Benton é diretor de jornalismo do Nieman Lab.

Texto e imagem reproduzidos do site: poder360.com.br

sábado, 2 de fevereiro de 2019

JLPolítica faz dois anos, agradece a audiência e amplia seus serviços

Jozailto Lima: "Quero reafirmar aqui que o Portal JLPolítica vai seguir o seu projeto 
de ser a boa casa noticiosa dos sergipanos na esfera da política"

Publicado originalmente no site JLPOLÍTICA, em 01 de fevereiro de 2019

JLPolítica faz dois anos, agradece a audiência e amplia seus serviços

Hoje, 1º de fevereiro, é um dia em que quero aqui, em nome do Portal JLPolítica, agradecer - até por acreditar que este é o verbo de melhor conjugação entre os humanos, aquele em que a conjugação atinge positivamente de volta sempre a quem o conjuga.

Há dois anos, numa quarta-feira, 1º de fevereiro de 2017, nascia o Portal JLPolítica, fruto de uma elaboração de quase seis meses levada a cabo entre eu e o companheiro de primeira hora Vicente Trípodi. Logo que nasceu, recebemos o auxílio luxuoso da jornalista Tanuza Oliveira, que se somou a outros auxílios identicamente imprescindíveis, como os de Flávio Alencar, Maria Auciliadora Varjão Lima, Murilo Augusto Varjão Lima, Maria Tereza Andrade e Tati Melo.

Em dois anos, as coisas por aqui evoluíram e mudaram muito. Muitíssimo para melhor. No meio do caminho, tivemos que trocar de leiaute do Portal, fazer um outro mais responsivo e moderno, o camarada Vicente - a quem sou grato -, foi embora para Bahia e a vida seguiu seu rumo.

Daquela noite de 1º de fevereiro de 2017 da primeira postagem da Coluna Aparte, um dos espaços editoriais do Portal, acessada naquela dia por trezentas e poucas pessoas, para hoje, fomos seguidos de perto por uma linha claramente evolutiva. Fomos acolhidos.

Hoje somos vistos em média por oito mil pessoas por dia - o que considero muito bom para um Portal segmentadamente voltado para a política -, o que revela que o JLPolítica tem uma significativa acolhida, sobretudo entre os sergipanos. Ali naquele dia de 2017 não tínhamos um só anunciante. Hoje eles chegam a perto dos 20.

Sim, o JLPolítica é um modelo de negócio de informação, no qual nunca será o comercial a ditar a nossa pauta. Mas precisamos de parceiros, afinal não se vive de brisa, e eles têm correspondido dentro de um campo de perspectiva a contento.

E nos nossos agradecimentos obviamente estão esses parceiros que pontuam em nossas páginas como seus banners, seus anúncios, seus produtos - assim como vão para as pessoas que desde a primeira hora nos acessaram, leram, compartilharam, escreveram artigos, dispuseram-se a ser fontes - na edição deste final de semana chegamos à Entrevista Domingueira de número 103, e será com o comandante da Celse, o engenheiro Pedro Litsek.

Agradecer para um portal de notícias é também oferecer mais serviços aos seus leitores. E é exatamente isso que o JLPolítica fará a partir de hoje, o dia um do seu terceiro ano. Hoje, você, leitor, encontrará na nossa grade três novas colunas: Política & Mulher, sob a responsabilidade da jornalista Tanuza Oliveira; Política & Negócios, sob os cuidados da jornalista Maria Tereza Andrade, e Política & Economia, sob o comando do economista Saumíneo Nascimento.

As três são inauguradas hoje em virtude do 1º de fevereiro, mas no dia a dia serão postas em dias diferentes: Política & Mulher, às quartas-feiras; Política & Negócios, às quintas, e Política & Economia, aos sábados. Estão em estudo, ainda, mais duas outras, para breve: Política & Variedades e Política & Meio Ambiente.

No mais, quero reafirmar aqui que o Portal JLPolítica vai seguir o seu projeto de ser a boa casa noticiosa dos sergipanos na esfera da política, sem ceder a ódios, a preconceitos, a tendências ideológicas e sem, sobretudo, criminalizar a atividade política, essa excelente mediadora e reguladora das relações em sociedade. A você, muito grato por tudo.

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica.com.br

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

“Hoje tem que pensar multiplataforma desde o início do projeto”

Andrea Barata Ribeiro (Foto: Carlos Vechi)

Publicado originalmente no site Época Negócios, em 19/03/2018

“Hoje tem que pensar multiplataforma desde o início do projeto”

Por Dubes Sônego 

Andrea Barata Ribeiro, sócia e diretora-executiva da O2, fala sobre o processo de transformação digital na maior produtora audiovisual do país
  
Andrea Barata Ribeiro lê ultimamente menos do que gostaria. Falta tempo, diz a sócia e diretora-executiva da O2, maior produtora de audiovisual do país. Este ano, “finalmente”, começou “Grande Sertão: Veredas”, clássico de João Guimarães Rosa. “Tinha essa falta”, afirma. No Reveillón, matou “A Glória e seu cortejo de horrores”, livro da atriz Fernanda Torres. E emendou “O Guia Politicamente Incorreto dos Anos 80 pelo Rock”, do roqueiro Lobão. Por prazer e dever de ofício, dedica o tempo que lhe sobra mais a filmes e séries. Nas semanas que antecederam a entrevista, realizada em uma tarde chuvosa no início de março, terminara uma maratona de filmes candidatos ao Oscar e a série espanhola Merlí, da Netflix, que tem como personagem central um professor de filosofia do ensino médio. Mas o que faz mesmo na maior parte do tempo é ajudar a contar histórias.

Uma das mulheres mais poderosas do cinema brasileiro, Andrea foi produtora executiva de filmes como Cidade de Deus, Ensaio sobre a Cegueira e Xingu. Ao lado dos diretores Fernando Meirelles e Paulo Morelli, com quem fundou a produtora em 1991, ajudou a rodar 27 filmes, 36 séries para TV aberta e fechada e milhares de comerciais para TV e internet – só em 2017, foram 1820 filmes publicitários. “O audiovisual está em um momento incrível, aqui e no mundo”, diz.

Da sala envidraçada que lhe serve de escritório, no mezanino de um dos prédios da O2, em São Paulo, é Andrea quem coordena o processo de expansão da produtora, principalmente nas áreas de entretenimento e pós-produção, e a adaptação à era digital. Desde 2013, a companhia tem uma divisão chamada Outras Telas. É onde estão locadas as pessoas dedicadas a pensar projetos de museus, exposições, ações promocionais que envolvam experiências imersivas em realidade virtual e outras tecnologias de ponta, como inteligência artificial. Na entrevista que segue, resultado de um papo de quase uma hora, Andrea falou sobre novas plataformas de veiculação, a aplicação de tecnologias de ponta ao audiovisual, modelos de remuneração e os reflexos disso tudo sobre a O2.

De que forma as novas tecnologias e canais de distribuição que surgiram com a internet influenciam a forma como vocês trabalham? Como estão se adaptando?
Quando a gente começou não existia produção independente para televisão, nem cinema. Ou você trabalhava em um canal de TV ou fazia publicidade. Hoje, com todas essas plataformas, com Netflix, Google Play, HBO, Amazon, a demanda por conteúdo cresceu absurdamente. Para você ter uma ideia, no segundo semestre, vamos rodar seis séries. Em paralelo, há um movimento, ao meu ver ainda inicial, de ser multiplataforma. Você faz a série de TV, mas tem que falar com o público no Instagram, no Facebook. Não adianta mais fazer só o conteúdo principal. Tem que pensar os periféricos, que já não são tão periféricos assim, desde o início.

Você tem que entregar a história em vários formatos diferentes?
Está começando a acontecer. No caso de uma série, você pode ter um pequeno filme para internet sobre um personagem. Pode contar de onde ele veio, ou alguma coisa que não se vê na série, com uma linguagem para cada plataforma. A gente fez um Instagram para o filme Mariguella (em filmagem). É como se fosse um documentário sobre a produção do filme, mas no formato Instagram, com uma estética, uma linguagem e um roteiro próprios. Está indo super bem, tem quase 20 mil seguidores. Antes, a janela principal de exibição era o cinema. Ela ainda é muito importante. Mas já não é mais a mesma coisa. As pessoas assistem mais é no conforto de casa. Então, para engajar as pessoas, não dá mais para pensar só no filme. Tem que pensar multiplataforma desde o início. Fora isso, a gente sempre tenta agregar um pouco de tecnologia, para achar outro nicho, buscar outras pessoas, estar com um pé nesse ambiente novo. Porque é inevitável. A novas tecnologias vão ditar cada vez mais o que as pessoas gostam e querem, quais as tendências, com quem e como você vai falar exatamente.

Como vocês estão se estruturando para isso?
A gente colocou um pé na área pela primeira vez em 2005. Antes do YouTube, abrimos a O2 Digital, porque estava começando a existir demanda de publicidade para a internet. A gente nem sabia direito o que era. Até hoje não é muito definido, muda muito rápido. Mas começamos a fazer, porque sentíamos que era estratégico, porque viria essa grande mudança pela qual ainda estamos passando.

E quando os negócios digitais começaram a ganhar volume?
Em 2013. O digital já tinha se tornado mainstream. Internamente, já não havia mais separação entre publicidade e digital. Foi quando a gente abriu o Outras Telas (área interna da O2) para cuidar de projetos envolvendo novos formatos e tecnologias, como realidade virtual, "experience", museus, exposições e projeções mapeadas. De novo, não sabíamos direito o que fazer. Mas vimos que havia um mercado ali, com um pé na publicidade e no entretenimento, que são nossas vocações. Botamos um pé para entender. Hoje, temos um cardápio muito grande e demanda dos clientes. Os clientes têm vontade de fazer coisas que também não sabem muito bem o que é. Uma hora a palavra da moda é "experience". Depois é inteligência artificial, algoritmos para descobrir tendências, realidade virtual. Já fizemos projetos para museu, projeções mapeadas, projetos de "experience" e realidade virtual.

Já fizeram filmes em realidade virtual para quem?
Temos mais de doze projetos de realidade virtual. Um dos vídeos mais vistos no mundo é nosso. É um clipe da Ivete Sangalo. A realidade virtual demorou mais a pegar aqui que nos Estados Unidos porque a tecnologia do óculos está demorando a chegar. Mas há uma mudança acontecendo, que a gente vê no SXSW [festival de inovação e economia criativa ocorrido em Austin com cobertura de Época NEGÓCIOS]. A realidade virtual está se tornando conteúdo para cinema. A IMAX abriu sala de realidade virtual. Grandes diretores de cinema estão fazendo filmes em realidade virtual. O Fernando [Meirelles] falou que está louco para fazer também. Já a publicidade está indo mais para "experience". Se você monta um ponto de venda, pode ter lá um simulador de um carro, um jogo com realidade virtual gamificada. A tecnologia vai evoluindo e os clientes vão querendo mais coisas. Muda o tempo todo. A gente fica sentindo em que direção e corre atrás.

Vocês tem gente dedicada exclusivamente a isso?
Investimos em algumas pessoas no Outras Telas que ficam testando coisas novas, investigando possíveis caminhos. Elas nos trazem informações sobre o que está acontecendo. Hoje, uma das principais tendências são os GIFs. Se tornou uma nova forma de contar histórias. Outra nova grande plataforma de mídia é o Whatsapp. É uma plataforma de conversação. Como você conta uma história ali?

Essa diversidade de plataformas exige profissionais com capacitações diferentes. Como vocês fazem para ter as pessoas certas na hora certa?
Na O2, além de termos parceiros de longa data, alimentamos o tempo todo a base da pirâmide. Se não, não segura. Trazemos roteiristas e fotógrafos constantemente. Nas nossas salas de roteirista têm sempre um estagiário em formação. Em realidade virtual, formamos toda a equipe. Fizemos um acordo com a Belas Artes, para criar um laboratório de narrativas imersivas e termos gente estudando isso. Há um intercâmbio. Em projetos de publicidade e conteúdo patrocinado, que envolvem criação nossa, chamamos parceiros. E aí entra a nossa experiência em curadoria, com o Fernando, o Paulo, diretores da casa, que ajudam a separar o joio do trigo. Em tecnologia, temos agora uma parceria com o Álvaro [Machado Dias]. Ele é professor de neurociência e tem uma empresa de software, a WeMind, que nos apoia em realidade virtual, realidade aumentada, inteligência artificial e neuroconteúdos.

Neuroconteúdos, o que é isso?
Já tivemos algumas experiências. Em Inhotim, por exemplo, foi feita uma instalação artística em que as ficavam ao redor de uma tela de vídeo, com sensores para a captação de ondas cerebrais (EEGs) conectados à cabeça. O computador interpretava as ondas cerebrais e, quanto mais uníssona a vibração, mais crescia na tela uma mandala. É uma experiência de neurociência. Onde vai dar a gente não sabe. Mas não dá para não ter um pé ali, com um maluco desses.

E a inteligência artificial, como é usada?
Com a inteligência artificial e as informações as pessoas disponibilizam na rede é possível oferecer a cada pessoa um produto específico. Já veio cliente aqui pedir para orçarmos 25 milhões de filmes. O cliente queria que cada pessoa que entrasse em uma loja da sua marca pudesse assistir um filme personalizado, com o tipo de roupa preferido pela pessoa. Na época, ainda não era possível. Mas hoje é muito fácil. Você faz um filme com certos buracos, que são preenchidos a partir dos dados que você pega de cada pessoa. Se usa saia, por exemplo, bota lá uma saia. O Álvaro, esse parceiro nosso, tem esse tipo de habilidade. Este é um exemplo em publicidade. Mas imagine como isso pode ser aplicado.

Há equipes separadas para cada área? Como é o processo de criação?
As equipes, por enquanto, são separadas. Na hora de lançar ou de começar a produzir, nós juntamos os departamentos, dependendo do caso.

O modelo de remuneração também mudou de alguma forma?
Tem coisas que estão mudando. Foi necessário um prazo para que todo mundo se adaptasse. Os canais de TV e plataformas, por exemplo, estão mais abertos para projetos que oferecemos e que já vêm com patrocinador. Levou uns três anos para perceberem que alguém de fora que traz um patrocinador não é inimigo do cara que vende o espaço de 30 segundos. Houve algumas tentativas e agora estão começando a surgir alguns modelos. A gente formata um projeto. A partir daí, vai atrás de patrocinadores possíveis e triangula com o canal. Pode envolver uma ou várias plataformas, com coisas ao vivo, "experience", aplicativo ou realidade virtual. Agora, como tudo é muito novo, a remuneração disso ainda não têm um modelo formatado. Até por isso, às vezes, coisas que propomos não dão certo. Em "experience" também não dá para seguir muito o modelo tradicional. O Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, foi um projeto de três anos, um processo de tentativa e erro, de descobrimento. Envolveu pesquisa, uma mistura de ciência e conteúdo. Não dá para fechar um orçamento como se fosse de publicidade.

Há dez anos, qual era a principal área de receita da O2? E, hoje, qual é?
Era publicidade. Respondia por 80% ou 90%. Entretenimento, no começo, era subsidiado. Hoje, não. São duas áreas super fortes. Depois tem a pós-produção, que também cresce muito. Porque a pós, cada vez mais, é parte integrante dos filmes. Hoje, não existe um filme que não passe por pós-produção. Seja para apagar coisinhas, como um carro. Até coisas mais sofisticadas, como universos criados em 3D. Antigamente não tinha tanta coisa. Hoje, publicidade representa 54%, entretenimento 35% e pós-produção 11%. Outras Telas está em publicidade.

As novas tecnologias abriram novas possibilidades, mas também trouxeram muito mais concorrência para o setor. De que forma isso impactou a O2?
Hoje em dia qualquer pessoa pode produzir na sala de casa, no computador. Eu posso ter uma câmera no meu celular com uma qualidade bacana, editar no meu computador e teoricamente fazer um comercial ou seja o que for. De repente, tem milhões de seguidores em um blog que não tem qualidade artística nenhuma. Isso aconteceu. A competição é muito maior. Democratizou, por um lado. Por outro, antes você só tinha a TV aberta. Agora, tem também o Cabo, as plataformas digitais de internet. Tem que ser muito mais esperto para achar o público. Por isso, é preciso usar todas essas outras ferramentas. É uma mudança, mas a gente continua apostando que conteúdo de qualidade sempre vai ser necessário. Contar uma boa história, bem produzida, bem filmada. Esse espaço continua garantido.

Texto e imagem reproduzidos do site: epocanegocios.globo.com

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Luiz Eduardo Costa, agora também no Portal F5 News


Publicado originalmente no site JLPolítica, em 27 de setembro de 2018

F5News considera inclusão de Luiz Eduardo Costa em sua grade “um acréscimo precioso”

Luiz Eduardo Costa: importância expandida para um dos melhores portais de Sergipe

A partir deste mês de setembro, os leitores do Portal F5News, um dos melhores espaços de informação via web do Estado de Sergipe, conta com o texto do decano do jornalismo sergipano, Luiz Eduardo Costa.
   
Ele é um quase víbora, como se dizia da verve do agitado e polêmico jornalista Joel Silveira - aquele a quem de supetão Assis Chateaubriand mandou para a cobertura da guerra de 1942 na Itália e proferiu a fantástica frase do “Vá, mas não me morra”.

Acessado diariamente por mais de cinco mil pessoas, o F5News, que existe desde agosto de 2011 e gera cerca de 10 empregos diretos, é resultado de uma inspiração do empresário Fernando Carvalho, do Grupo Multiserv, que tem vocação para a comunicação social.

A jornalista Mônica Pinto - ex-Dantas -, editora do Portal, diz que a inserção do texto de Luiz Eduardo Costa em sua grade “foi um acréscimo precioso” ao conteúdo da empresa.

“Luiz Eduardo Costa construiu, ao longo de uma sólida e aguerrida carreira, uma fama de respeito e tenacidade, alicerçada em um texto de qualidade inquestionável”, diz ela. Veja este breve bate-papo com Mônica Pinto sobre o velho LEC.
  
Aparte - Quando Luiz Eduardo Costa estreou com sua coluna no Portal F5New?
Mônica Pinto - A estreia dele foi no dia 3 deste mês. O jornalista já tinha, há bastante tempo, um blog com seus comentários sobre os mais diversos temas. O que F5 News faz é dar mais um espaço de visibilidade para esse trabalho dele.

Aparte - Qual é o conceito que o Portal tem dele enquanto jornalista?
MP - É o melhor possível. Luiz Eduardo Costa construiu, ao longo de uma sólida e aguerrida carreira, uma fama de respeito e tenacidade, alicerçada em um texto de qualidade inquestionável. Para o Portal, foi um acréscimo precioso.

Aparte - Qual será a periodicidade do texto dele na grade do Portal?
MP - As inserções ficam a critério dele. Não há uma periodicidade fixa.

Aparte – Luiz Eduardo Costa terá preservadas as garantias do seu texto crítico e independente de sempre?
MP - Sim. O material é assinado por ele e, como em todas as produções de pessoas fora dos quadros de F5 News, há a informação de que as opiniões e análises ali expressas são de seus autores, e não do Portal.

Aparte – O F5News promoveu alguma consulta pública sobre ele e sua ação jornalística para tê-lo em sua grade?
MP - Quanto à consulta pública, não houve e nem se fez necessária diante da notoriedade do jornalista.

Aparte - Qual é a visão do Portal F5News da cobertura política que se pratica hoje nas diversas mídias de Sergipe?
MP - No aspecto geral, sem alusão à presente campanha, a cobertura política ainda se baseia bastante em releases das assessorias parlamentares e das agências do Governo e da Prefeitura. Seria interessante um investimento maior em material exclusivo - no que o JLPolítica se destaca, a propósito.

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica.com.br

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Ivan Valença começa a escrever no Alô News

11/06/2018 - Ivan Valença começa a escrever a partir desta segunda (11/06/18) no Alô News

Jornalista agora faz parte do Portal Alô News

O mais importante jornalista e comentarista político da imprensa sergipana, Ivan Valença, faz agora parte do time do Portal Alô News.

Ivan começa a partir desta segunda a escrever para o site, na Coluna Ponto de Vista, onde fará as melhores análises do ambiente político em Sergipe e no Brasil.

O Alô News dá as boas vindas à Ivan e tem a certeza de que esta parceria será de enorme sucesso e que quem mais vai ganhar com ela é o nosso leitor, sempre interessado em ter acesso a análises aprofundadas e inteligentes a respeito de temas políticos.

Redação Alô News.

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Publicado originalmente no site Alô News, em 11/06/2018

É assim que a coisa anda

Por Ivan Valença - Ponto de Vista

Antes de fazer uma apresentação minha, para que os internautas tenham ideia com quem está tratando – sou Ivan Valença, jornalista desde 1958 quando tinha apenas 14 anos de idade - , deixe-me explicar uma coisa: eu sou homem de jornal. Toda minha vida, a partir dos 14 anos de idade, eu passei numa redação de jornal, até mais ou menos um ano e meio atrás quando fui sumariamente despedido do jornal que eu mesmo criei, onde escrevia o editorial, fazia uma coluna semanal e tratava, com enorme carinho, uma página semanal sobre cinema.

Não que internet seja alguma novidade para mim. O que eu gosto na internet é a velocidade como a informação chega ao seu destino. O jornal leva praticamente 24h para se comunicar com seus leitores. A internet demora, quando muito, o tempo de escrever esse artigo e enviá-lo para os amigos da central que se encarregam de pô-lo no ar.

No jornal o ritmo burocrático para fazer um texto chegar ao leitor é mais, muito mais, complicado. Vejam só: com o assunto na memória você escreve uma ou duas laudas (o diagramador é quem determina o tamanho do escrito) e passa o texto para a revisão. Antigamente, tinha que passar o texto para a composição, antes de submetê-lo a uma revisão de texto. Uma vez composto – isto é, pronto para nova revisão – o texto seguia para a diagramação e daí para a paginação. Arrumado na página, seguia para as “oficinas”, isto é, o local onde seria montado conforme a diagramação. Neste momento acrescentavam-se os títulos e as ilustrações. Findo o que, ao lado de outras tantas páginas prontas, ia para a impressão. Quando comecei a trabalhar em jornal, imprimia-se de duas em duas páginas. Hoje, mais das vezes imprime-se o caderno completo de 16 páginas, todas de uma só vez.

A chegada da internet facilitou tudo isso. O que estou escrevendo agora vira um texto pronto, revisado e imediatamente paginado. Ou seja, reduz-se tempo na comunicação com o possível leitor. Agora é torcer para que o texto agregue muitos leitores. Só assim terei condições de dentro em breve pedir um reajuste de salário.

Texto e imagem reproduzidos do site: alonews.com.br/colunista

quinta-feira, 12 de abril de 2018

A geração digital


Publicado originalmente no site FÓRUM, em 24/08/2012

A geração digital

Por Francisco Machado Filho  

É possível afirmar com toda a certeza, que na história da televisão broadcast este seja o momento de maior revolução tecnológica e de alteração no comportamento do telespectador. Mesmo no início do desenvolvimento da televisão e toda a dificuldade da implantação em escala de massa, a atual realidade está forçando aos radiodifusores rever todas a estrutura física e de programação. Pode-se dizer que seja um recomeço e que nos mais de 80 anos da televisão mundial tudo que foi aprendido e estruturado dentro de um modelo de negócios, que aliás, também está mostrando sinais de fadiga, tem de ser adaptado aos novos tempos.

Na sessão Convergência Broadcast/Broadband, comandada por Fernando Bittencourt (SET – TV Globo), ficou evidente como a chamada “geração digital” está impactando o setor de mídia em dois principais aspectos: a nova estrutura informacional e em rede e os novos comportamentos do usuário, que passa a ter acesso aos novos dispositivos de distribuição de conteúdo, a chamada geração Y. E como forma de entender como a audiência está se transformando, Bittencourt inovou e trouxe para sessão um grupo de 9 jovens, todos abaixo do 20 anos de idade, que foram questionados pelos palestrantes e também pelo público presente sobre seus hábitos de consumo de informação e entretenimento nas diversas plataformas. No depoimento destes garotos todas as afirmações acerca do comportamentos dos jovens puderam ser testadas e, muitas delas, confirmadas, tais como: a uso de dispositivos móveis com a televisão ligada, a aversão por publicidade nos conteúdos online, o uso do celular como mídia e como dispositivo indispensável (caso fossem obrigados a escolher apenas um para uso diário) e a falta de atenção nos comercias exibidos na televisão aberta.

O que tempos atrás poderia ser considerado um desastre ao modelo de negócios da TV aberta, hoje está se mostrando uma oportunidade de novos negócios para gestores e executivos que conseguirem identificar essas novas oportunidades e que não sejam inflexíveis em abrir mão do modelo antigo. Está cada vez mais claro, que o modelo de negócios da TV aberta, baseado quase que exclusivamente na publicidade e na comercialização do espaço publicitário baseado em estatísticas de audiência não irá ficar incólume às mudanças que a geração digital está impondo.

Na outra ponta desta nova geração está a forma de distribuição de conteúdo na estrutura física da rede de computadores. A transmissão não se dá mais apenas pelo ar, mas está migrando para a internet e em uma velocidade incrível. A demanda por consumo de vídeo na internet está crescendo de uma forma espantosa, mesmo no Brasil, onde 75% da população convive com o modelo básico de uso dos dispositivos: aparelho de TV com recepção na programação aberta e o PC conectado à internet com velocidade entre 256 Kb a 2 Mb. A partir daí, as camadas com melhor condição financeira vai incluindo dispositivos conectados ao aparelho de televisão, como: DVD, Blu-Ray, games, e os serviços OTT, ou possuem as televisões inteligentes conectadas à rede. Somado a estas duas configurações está a crescente demanda por mobilidade forçando os produtores de conteúdo a produzir produtos multiplataforma, o que atualmente é um processo caro e depende da estrutura Wi-Fi ou da rede de celulares.

Pelo número de sessões no congresso da SET este ano que tratam do conteúdo broadcast na Web, é possível perceber a importância desta nova realidade na distribuição de conteúdo. E o Brasil ocupa um lugar privilegiado neste contexto, pois é o único pais onde a TV aberta comercial ano após ano aumenta o faturamento com publicidade. isto se deve a fatores ligados às políticas econômicas adotadas pelo governo, ao acesso relativamente menor dos indivíduos à banda larga e etc.. Com isso, tem-se um tempo ainda favorável para que os radiodifusores possam analisar as mudanças e ao poucos planejarem as estratégias de migração do conteúdo para a rede de computadores. Tempo que outros países como EUA não possuem, visto que as configurações de mercado nestes países são outras.

Contudo, está ficando cada vez mais evidente que o modelo tem de mudar. O contexto é digital, mas a gestão ainda é analógica e isso poderá ser fatal para aqueles que não partirem para a inovação também na gestão e não apenas na questão tecnológica.

Texto e imagem reproduzidos do site: revistaforum.com.br

domingo, 4 de março de 2018

O que é Jornalismo Digital?

O que é Jornalismo Digital?

Portais de informação, blogs e redes sociais são meios onde jornalistas do mundo todo dividem seus conhecimentos de uma maneira interativa e imediata. A ideia do jornalismo digital foi revolucionária por ter agilizado a troca de informações entre jornalista e leitor, além de permitir que o internauta interaja simultaneamente com outros leitores e com o próprio jornalista.

Assim como na rádio, o texto digital pode ser mais descontraído e informal, além de utilizar de vídeos, fotos, entrevistas e comentários, característica que se assemelha à televisão. Na Internet estão presentes os podcasts em que emissoras disponibilizam as principais notícias de sua programação e textos como os do jornal impresso podem ser publicados sem limites de catéreses. Percebe-se então a internet como uma plataforma capaz de cobrir todas mídias conhecidas até o momento.

As características mais marcantes do jornalismo digital são o imediatismo, a multimidialidade e a interatividade, que juntos formam um grande atrativo para um mundo que está sempre com pressa. As pessoas precisam de um meio rápido e prático para se informar, e a internet proporciona isso.

Conhecer as tecnologias não é essencial somente para jornalistas que queiram trabalhar no meio digital. Hoje, qualquer profissional precisa ter o conhecimento das tecnologias e as diferentes formas de passar informações pela Internet.

Para os profissionais da comunicação, este é o momento de integrar os conhecimentos. Para realizar um bom trabalho na web é essencial integrar os conhecimentos técnicos do jornalismo com a tecnologia da Internet e assim consolidar não o novo jornalismo, mas sim o novo jornalista.

Texto e imagem reproduzidos do site: caminhosdojornalismo.wordpress.com

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Assim é a transformação digital do EL PAÍS, na era da tecnologia móvel


Publicado originalmente no site Brasil Elpais, em 10 de outubro de 2015

Assim é a transformação digital do EL PAÍS, na era da tecnologia móvel

O jornal é o décimo quinto meio digital mais lido do mundo, segundo ComScore

Por Joseba Elola 

Dois trabalhos jornalísticos relacionados com o acidente do avião da Germanwings, no dia 24 de março, servem para explicar o processo de mudança na qual se encontra o jornal EL PAÍS e a mutação que os grandes meios internacionais estão experimentando em plena era digital. Uma parcela de 50% das consultas informativas à notícia do trágico acidente foi feita por meio de telefone celular. Outros 45%, por computadores de mesa. E cerca de 5% via tablet.

Em outras palavras, o presente (e o futuro) dos meios de comunicação está em jogo nesse dispositivo supostamente inteligente que parece ter-se convertido em apêndice do ser humano do século XXI.

Um total de 53% da audiência do EL PAÍS chega via dispositivos móveis

Estamos falando de uma tendência global. Trinta e nove dos 50 meios informativos digitais mais importantes do mundo obtêm maior acesso em seus sites via aparelhos móveis do que via PC, como indica o último estudo feito pelo Pew Research Center a partir de dados do ComScore.

“A tecnologia móvel já é o presente da mídia”, afirma Antonio Caño, diretor do EL PAÍS. “Nada do digital pertence ao futuro. Mais ainda: há aspectos do digital que já são passado”.

Essa tendência que percorre o panorama midiático mundial encontra eco nos números deste jornal, ou melhor, desta plataforma multimídia de conteúdos: 53% da audiência chegam via dispositivos móveis. “A mobilidade [celulares e tablets] logo representará 80% de nossa audiência”, prevê Manuel Mirat, diretor-executivo do jornal EL PAÍS. “A tecnologia móvel mata o PC; mas nem o celular nem o PC matam o papel.”

"Nada no digital pertence ao futuro", diz o diretor, Antonio Caño

O celular muda tudo, sim; mas também as redes sociais, que se tornaram o principal canal de distribuição de conteúdos informativos. Mais de 71.000 pessoas compartilharam a notícia do acidente da Germanwings que este jornal publicou às 11h38 da terça-feira 24 de março, um dia que o redator-chefe da editoria de Internacional, Andrea Rizzi, lembra como “uma extraordinária descarga de adrenalina, além de uma grande comoção por causa da tragédia”. A notícia recebeu 1.221.717 visitas e é, desde então, a terceira mais acessada do último ano. Colocou a editoria de Internacional diante de um dos desafios da informação nestes tempos: “Conseguir um equilíbrio entre duas velocidades: ser ultrarrápido e, ao mesmo tempo, buscar a profundidade”, disse Rizzi. Ou seja, cobrir tanto a oferta informativa direta, que exige constantes atualizações, quanto a elaboração de conteúdos com valor agregado e abordagem exclusiva.

Outro artigo relacionado com o voo suicida do copiloto Lubitz atingiu graus de viralidade (contágio na internet) que levaram a mais de 2 milhões de acessos. Foi o material elaborado pelo Verne, espaço para "notícias surpreendentes" que inaugurou sua presença como blog neste jornal no dia 24 de setembro. Reproduzia um vídeo, postado cinco dias antes do acidente por um internauta, no qual o apresentador Pablo Motos mencionava a história de um sobrevivente do avião que em 2009 caiu sobre o rio Hudson. Relatava os últimos pensamentos de um homem que achava que ia morrer.

HÁBITOS DE LEITURA


Telefones celulares e tablets com o aplicativo do jornal EL PAÍS 

De manhã, ao despertar, os leitores consultam as notícias pelo celular. Esse consumo volta a se intensificar na hora das refeições.

O acesso a conteúdos informativos pelo PC predomina nas horas de trabalho.

O tablet, por sua vez, é consultado à noite, ao fim da jornada.

O tempo de conexão é maior no caso do PC; o consumo pelo celular é inquieto, rápido. O do tablet, similar ao do PC.

A reportagem sobre o vídeo premonitório do Verne é a mais visitada no último ano. Apareceu na linha do tempo do Facebook de 7 milhões de pessoas. Novas narrativas, novos formatos, novos leitores.

Cerca de 80% dos acessos do último mês a esse espaço chefiado por Delia Rodríguez vêm das redes sociais. Isso é o que os meios de comunicação procuram: presença nas redes, nos dispositivos móveis. A monetização dessa audiência é o desafio da busca do Santo Graal: o modelo de negócio.

Dados, dados, dados. Estamos na era dos dados, e o jornal não está alheio a isso: a audiência é um critério-chave.

Terça-feira, 10 da manhã. Um grupo de 10 pessoas, entre eles o diretor-executivo, Manuel Mirat, o diretor do jornal, Antonio Caño, e o diretor-geral, Ignacio Soto, observam atentos os números projetados numa grande tela no terceiro andar da sede do jornal EL PAÍS em Madri. É a chamada reunião de audiência e liderança. Nela se faz um acompanhamento dos resultados de acessos a cada uma das seções do jornal. Foi implantada no início 2014. “As medições servem para identificar áreas de fragilidade”, ressalta Guiomar del Ser, que comparece à reunião na qualidade de responsável pela área de Tecnologia Móvel e Redes Sociais. Há dois meses as seções deste jornal funcionam com metas. Esta é uma das grandes mudanças.

Uma reportagem do Verne esteve presente em 7 milhões de linhas do tempo do Facebook

A luta por audiência poderia resultar num terreno pantanoso. Mas os responsáveis pelas seções não parecem guardar temores de cair nos temas de clique rápido —temas curiosos, ligeiros e às vezes com elementos sexuais. “Elaboramos nossa seleção de notícias com os critérios de qualidade de sempre”, afirma Jorge Rodríguez, redator-chefe da seção Espanha. “Apoiamos a cobertura dos assuntos em que percebemos a existência de um interesse do leitor”. Tanto Miguel Jiménez, redator-chefe de Economia, quanto Rodríguez concordam que os dados de audiência são muito úteis e também que criam certo “vício”.

O maior conhecimento dos leitores já conduz a um maior volume de material de serviço, como informações práticas para a declaração de Imposto de Renda ou sobre o calor que atingiu a Península esta semana.

BUSCAR O LEITOR ONDE ELE ESTIVER


Gráfico de audiência do EL PAÍS. 

Este jornal nunca havia tido tantos leitores. Nos tempos das grandes cifras das edições em papel, podia-se chegar a vender até 750.000 exemplares por dia. Hoje, os números falam de milhões. Em escala global, elpais.com encerrou março como líder mundial dos jornais digitais em espanhol, segundo os dados do ComScore MMX, medidor oficial de audiência do mercado editorial.

Foram registrados 15,2 milhões de usuários únicos, frente a 12,1 milhões do elmundo.es e a 11,1 milhões do argentino clarin.com (os números internacionais ainda não incluem os usuários de dispositivos móveis). EL PAÍS é o décimo quinto jornal digital do mundo, num ranking encabeçado pelo site chinês Xiahuanet.com.

Em escala nacional espanhola, onde o ComScore já inclui em suas medições os usuários de celular e tablet (além dos usuários de computador), o elpais.com também é líder, com 14,3 milhões de usuários únicos, frente a 13,4 milhões do elmundo.es. Nas medições em que o Comscore só computa os dados relativos aos PC, sem contar os dos dispositivos móveis, elmundo.es tem 8 milhões, frente aos 7,5 milhões do elpais.com.

“Batemos o recorde histórico da empresa”, enfatiza Manuel Mirat, diretor-executivo do EL PAÍS. “E estamos trabalhando em frentes múltiplas na busca por um leitor comprometido com o DNA do EL PAÍS”.

Apostar no vídeo, na tecnologia móvel, na incorporação de novos espaços informativos que atraiam novos leitores à internet, na distribuição dos conteúdos através das redes sociais. Essas são algumas das prioridades da agenda de Mirat. “Estamos na segunda fase da transformação digital”, afirma Caño.

O lançamento de uma plataforma de vídeo, chefiada por Carlos de Vega, ex-correspondente em Washington do canal de televisão espanhola Cuatro, e de uma nova versão para celular serão os passos seguintes.

A transformação digital altera a paisagem. Já estão ficando para trás os tempos em que os jornalistas se levantavam tarde e chegavam à redação ao meio-dia. Juan Carlos Galindo, responsável pelo primeiro turno de trabalho do site do EL PAÍS, começa sua jornada às 6 da manhã, quando ainda estão passando os aspiradores na sede do jornal em Madri. Pega o bastão da redação do México, que é a que cuida das necessidades informativas entre as 2 e as 6 da madrugada.

Incorporam-se, além disso, novos perfis ao espaço central da redação. Todos os dias estão sentados ali, junto aos jornalistas, dois analistas digitais que oferecem informações sobre a audiência. Também estão as colegas que se encarregam de cuidar do bom posicionamento das notícias nos mecanismos de busca, o SEO (Search Engine Optimization).

A aposta do EL PAÍS, além disso, mudou de eixo. A América que fala espanhol e português é a meta, o lugar de onde virá o crescimento. “Somos a única sacada de onde se pode ver o panorama de toda a região”, afirma Luis Prados, subdiretor da edição América, “graças a uma rede de correspondentes construída ao longo de 40 anos e, sobretudo, às redações da Cidade do México e de São Paulo”. Uma parcela de 32% dos usuários deste jornal procede do continente americano. Da Espanha vêm 60,5%. E 7,1%, do resto de Europa.

Mudança de eixo, sim; e, sobretudo, aprofundamento nos novos conceitos: “Os meios de informação deixaram de ser um lugar do qual se faz cátedra”, diz Caño. “Hoje, o que estabelecemos com os leitores é um diálogo.”

TEMPOS DE REVOLUÇÃO PERMANENTE NA INFORMAÇÃO

Os meios de comunicação estão em plena fase de transformação. A versão para celular do EL PAÍS já conta com um ícone para compartilhar conteúdos através do WhatsApp. E já há veículos que estão abrindo suas informações ao Snapchat, a rede social de conteúdos que desaparecem logo depois de serem lidos. “Essa é a revolução permanente”, observa Bernardo Marín, subdiretor da área digital.

EL PAÍS terá dentro de um ano um web responsive design, isto é, que se adapta a cada um dos dispositivos (PC, celular, tablet). O Verne já é web responsive, assim como os sites do The Guardian, do The Boston Globe e o do The Wall Street Journal. A tecnologia permitirá oferecer ao usuário, seja em seu celular, tablet ou na internet, informação personalizada (notificações, alertas nos aplicativos do celular), de modo que o interessado na informação sobre esportes abra uma página ajustada às suas preferências. O objetivo é o de sempre: “Oferecer informação contrastada, independente e de qualidade, seja qual for o suporte”, disse o diretor-adjunto, David Alandete.

Texto e imagens reproduzidos do site: brasil.elpais.com

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Modelo da TV venceu o textual na web

Mídias sociais também têm a sua versão do 'horário nobre'

Publicado originalmente no site jlpolitica, em 01.jan.2018

Em 2018, o vídeo dominará o jornalismo e a internet

Modelo da TV venceu o textual na web

Por Hossein Derakhshan*

A internet costumava ser algo que se lia. Em 2018, será oficialmente algo a que se assiste.

Duas décadas depois de a web apresentar um desafio inesperadamente sério para a televisão, nós podemos dizer com tranquilidade que a televisão venceu. Ela conquistou a internet, a mídia, e assim o mundo.

Não só como um meio, mas como um discurso que afeta profundamente a nossa compreensão de nós mesmos e do mundo. Sua forma linear, centralizada, movida a emoção e centrada em imagens prevaleceu sobre a forma descentralizada, textual e racional da World Wide Web, inspirada em livros e jornais.

Não só há muito mais investimento em jornalismo em vídeo, mas também os modelos de negócios televisivos, aberta ou a cabo, estão também dominando: anúncios em vídeos no início ou no meio de clips, product placement e assinaturas mensais. Isso ocorre enquanto anúncios digitais ou analógicos para a mídia em texto estão despencando.

Até a crítica contra “direcionamento para vídeo” é mais sobre “direcionamento a vídeos de curta duração” do que sobre o conceito de vídeo em si. Está todo mundo gastando muito dinheiro em vídeos de longa duração.

Há outras semelhanças. Enquanto os produtores de televisão precisam das distribuidoras de TV a cabo ou aberta para alcançar seus públicos, a mídia digital precisa cada vez mais das plataformas sociais como Facebook e YouTube em vez de seus próprios websites ou apps. Este não foi o caso quando a imprensa tinha suas próprias instalações para impressão e sistemas de distribuição.

Ideias como “horário nobre” também já migraram da televisão para a mídia social. Já não se pode twittar ou postar no Facebook ou Instagram a qualquer hora. Agora, tem de acontecer em certos horários para adquirir maior número de engajamento e portanto visibilidade.

Isto é tudo um incremento a ideias recentes como TV YouTube, ou transmissões ao vivo no Facebook e no Twitter de produtos convencionais da televisão. Estes são quase literalmente uma re-imaginação da televisão na nova era da internet móvel.

A internet se tornou uma neo-TV e nós vamos ter que encarar as consequências assustadoras de uma sociedade dominada pela televisão, algumas das quais Neil Postman explicou em 1985 em seu livro “Amusing Ourselves to Death”.

Televisão, velha ou nova, é o novo meio da nossa nova era pós-Iluminismo em que texto e razão são substituídos por imagens e emoções. Para ser curto e franco, Trump é só o começo.

*Hossein Derakhshan é jornalista, analista e co-autor de “Information Disorder: Toward an interdisciplinary framework for research and policy making”, e escreveu o texto “Television has won” para o projeto de final de ano Predictions for Journalism 2018, organizado pelo Nieman Lab. Leia aqui o texto original.

* O texto foi traduzido por Carolina Reis do Nascimento.

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica.com.br

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

O jornalismo impresso vai acabar?


Texto publicado no site da revista Carta Capital, em 14/09/2011

O jornalismo impresso vai acabar?

Por Clara Roman 

Profissionais não sabem qual será o modelo de negócios do futuro, mas garantem: a mídia impressa está condenada

Não há consenso entre os profissionais da imprensa, do marketing digital e da propaganda:  qual será o modelo vencedor no futuro, capaz de gerar renda na internet e substituir os negócios hoje ainda centrados no papel e na televisão? No segundo dia do evento New Brand Communication (NBC) a grande pergunta era se a internet conseguirá democratizar a comunicação no País, hoje concentradas em algumas poucas corporações familiares.

A questão pesa tanto na publicidade quanto no jornalismo. “A gente tem um vício que é a Casa Grande – Senzala,” diz Rene de Paula, que participou da mesa “Inovação em Comunicação de Marcas”. Segundo o publicitário, os profissionais da área acabam imersos em um universo particular, onde “todos possuem Iphone, enquanto a maioria do Brasil está comprando um notebook ou PC em 12 prestações”. É esse público que o marketing online deve atingir. “O grande desafio é entender que as coisas não acontecem somente na Vila Olímpia. A inovação deve ser social, política”, diz.

Para exemplificar, De Paula cita o Orkut, site de relacionamentos tido como ultrapassado pelas Classes AB, mas ainda um dos mais acessados no País. Segundo ele, é o que dá mais retorno. A inovação, diz De Paula, não consiste em criar aplicativos, mas em entender os mecanismos de acesso à Web no Brasil. “Achava que a internet iria ser a coisa mais inclusiva, mas acho que estamos aumentando o abismo.”

O conteúdo continua sendo elencado como o fator mais importante para um negócio de sucesso. Gianni Carta, editor do website de CartaCapital, falou da sua experiência à frente da página eletrônica da revista. "A CartaCapital tem uma marca, que é uma linha editorial progressista: pró-mercado, mas contrária a uma globalização desenfreada. O website tem de refletir mais essa marca, esse brand”, diz Carta.

Divergência

No painel “O Futuro da Mídia”, o debate girou em torno de uma divergência entre Luiz Carlos Azenha,  Marcelo Coutinho e Enor Paiano. Paiano é diretor de publicidade do UOL e Coutinho é diretor de Inteligência de Mercado do portal Terra, os dois grandes do jornalismo e entretenimento online. Já Azenha é dono do blog “Vi o mundo”, em que escreve sobre política.

“A ecologia da mídia é a mesma de 50 anos atrás. O peixe grande come o peixe pequeno”, afirmou Azenha, iniciando a polêmica que se estenderia por quase toda a mesa. Isso porque Coutinho e Paiano defendiam a ideia de que, com a democratização dos instrumentos de mídia proporcionada com a internet, mais pessoas passariam a ser produtoras, quebrando o monopólio dos grandes meios de comunicação. Como exemplo, Paiano citou o UOL, que possui 300 sites agregados de pequenos empresários da mídia. Esses sites são geralmente administrados por uma pessoa que faz a página e terceiriza serviços. “Alguns são remunerados, outros não”, observa Paiano.

Para contrapor a teoria, Azenha citou o próprio caso: o blogueiro afirma que não recebe quase nada para tocar o site e ainda tem gastos fenomenais em processos pelo que escreve. Para justificar, Coutinho afirmou que o problema é o tema: o jornalismo político sempre deu prestígio, nunca deu receita. O que vende é Esportes e Celebridade. “É claro que um blog politizado enfrenta mais pressões, como o Movimento”, argumenta Coutinho. O  jornal Movimento foi uma publicação fundada em 1975 que sofreu forte repressão durante a Ditadura Militar.

A grande questão, no entanto, é como sustentar o modelo digital e se, de fato, o papel entrará em decadência. “Talvez o online não signifique o fim do papel, mas como essas coisas podem coexistir”, colocou a moderadora e repórter especial de CartaCapital, Cynara Menezes. Mas a mesa discordou. Coutinho foi incisivo ao afirmar que o papel vai sim acabar, em pouco tempo, mesmo com a venda de jornais aumentando e os anúncios se concentrarem em grande parte nas publicações dos grandes veículos. Mas, diz ele, a cada reajuste, os anúncios ficam mais baratos, sufocando as empresas.

Paiano acredita no fim do modelo de produção que hoje assistimos: o grupo de pessoas que filtra a informação para todas as outras será posto em xeque. A televisão, segundo ele, terá ainda uma sobrevida, uma vez que o mercado publicitário está em torno do orçamento da rede Globo.

O americano Saman Rahmanian também foi categórico ao apostar no fim da mídia impressa. Os Estados Unidos estão anos na frente nesse processo, e já assistiram a naufrágios de diversos veículos de comunicação. Para Rahmanian, o papel se extinguirá e a notícia será dada em outro formato. “Uma redefinição do trabalho será necessária se quisermos nos manter no mercado”, oferece Rahmanian. “Todo mundo tem as ferramentas, mas nem todo mundo tem coisas interessantes para dizer."

Fundamental, conclui ele, é oferecer conteúdo.

Texto reproduzido do site: cartacapital.com.br